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2020 ou daquilo que vi quando cerrei os olhos

“Ele não tinha ido a nenhuma parte. Só executava a invenção de se permanecer naqueles espaços do rio, de meio a meio, sempre dentro da canoa, para dela não saltar, nunca mais.”

João Guimarães Rosa

Já faz alguns anos que tenho investigado a paisagem. Ela me interessa pela prática do desenho de observação. Desenhar para entender, desenhar para observar o que está  fora, mas também o que está dentro.  Arte contemporânea

 

Nesses trabalhos em especial, investiguei a densidade na composição e o gesto rápido. O desenho foi se fazendo em um fluxo, sem esboços, sem planos prévios. Desenho puro em seu sentido de ação direta sobre o suporte. Além disso,  tem a questão da concentração.  Fui buscar na  Caligrafia Oriental e do Sumiê  a abordagem que me satisfaz, que permite o desenho chegar antes do racional. O rake-hitsu se refere ao instante em que o pincel ou no meu caso,  o bico de pena, entra em contato com o papel e revela a mente, buscando o gesto preciso, sem espaço para o retorno.

Porém em um ano em que a mobilidade ficou tão reduzida, explorei o desenho de observação da memória. Foi assim que comecei a desenhar: olhando para o branco do papel e tentando me lembrar. Desenhar para suportar. Livremente inspirada pela A terceira margem do rio, do Guimarães Rosa, me fui pelos desenhos.  Fui atrás de uma paisagem que eu imagino-desejo-recordo.

A versão audiovisual deste trabalho foi contemplada com o Prêmio Funarte RespirArte 2020.

A versão impressa é um projeto para o qual busco parceria.

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