PERCURSOS

Pensar em percursos no plural é uma ideia que se aplica à minha carreira desenvolvida ao longo dos anos levando em consideração a transversalidade de campos do saber. Arte,  autoconhecimento e contato são três vertentes que se entrecruzam ao longo de meu caminho.

Minha primeira formação acadêmica se deu no campo da ciência (Farmácia Bioquímica, USP). Foi ali que comecei a entender que a saúde tem a ver com o autoconhecimento muito mais do que com os procedimentos que a indústria da doença impinge.  Foi também onde comecei a experimentar, para então entender nos anos seguintes, que o meu real interesse era experenciar. Na sutil diferença entre as palavras, entender que a relevância nas descobertas proporcionadas  pelos processos valem mais do que  a obsessão pelo resultado.

Foi ainda durante a faculdade de Farmácia que comecei a desenhar e depois, a pintar.  Quando comecei a estudar Arte na FAAP,  iniciei também um estágio em joalheria para aprender um novo ofício. O fazer manual da joalheria aportou a uma nova possibilidade: a  de explorar as relações tridimensionais da matéria na escala do corpo.

Entre 2000/2012, minha produção transitou no território que se coloca entre a Joalheria e a Arte, investigando novas possibilidades em tipologias, materiais e sobretudo, nas interrelações que se estabeleciam entre eu/outro, 

O trabalho se deu não apenas no desenvolvimento de objetos pensados para o corpo e para dialogar com o outro, mas também em várias outras vivências muito ricas. Pude expor meu trabalho em diversos países, e tive maravilhosas  trocas e  experiências de vida. Em 2010 fui indicada ao Prêmio Prince Claus pelo trabalho desenvolvido  com Projeto Nova Joia (2006/2014), plataforma que promoveu palestras e exposições, workshops  e cursos sobre esse  território cinza

da série "Longing for the body", latex, 2005"

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A ideia de transbordar fronteiras sempre fez parte de meu procedimento poético,  traduzida  pela presença eventual da fotografia e a instalação junto ao objeto relacional. No entanto, depois de Cetro/Entretantos (2013) marca-se o início de um desvio de percurso. Foi quando comecei a entender que podia prescindir do objeto para experenciar o contato com o outro, grande foco de meu interesse na pesquisa do objeto.

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Desde 2004, paralelamente às práticas artísticas, eu havia iniciado o Aikido, arte marcial desenvolvida no Japão a partir de meados do século XX e que se distingue por buscar a harmonização das relações.

 

Pouco antes do final de meu mestrado, em 2012, eu  me graduei shodan (faixa preta) e comecei a trabalhar como instrutora de Aikido. Isso significou que  o contato a partir da integração corpo/mente passaram a ser imprescindíveis no meu entendimento de vida.

 

O  Aikido parecia me fornecer a interação com o outro que eu havia buscado com o objeto-joia sem a necessidade da intermediação do objeto. A relação  se dava pelo contato corporal, pela troca de ki, a energia sutil que nos anima.

A pesquisa dessa integração corpo/mente me aproximou do campo da educação e o contato direto com pessoas das mais diversas faixas etárias. Essas vivências me fizeram ir buscar mais formações em outras práticas corporais como o Chi Kung, o Kinomichi e o Método Feldenkrais, que levaram ao desenvolvimento de minha pesquisa em práticas integrativas que denomino, Corpo-ki que ofereço como workshops /vivências para grupos.

Esse mergulho na filosofia oriental também me levou  gradualmente às práticas de Zensho e Shodo e foi por ali que voltei a pintar e desenhar. Nesse retorno, minha atitude estava contaminada pela ideia que o gesto é carregado de uma intenção do momento presente e não há retorno, não há rearranjos, assim como um golpe iniciado e terminado. O gesto inicial no campo do papel não é muito distante do encontro com o outro no tatame.  Ali se dá o desenrolar da imagem. 

 

Explorando a ideia de corpo-desenhante  mais atenta ao conceito japonês de hitsu-i, o espírito do pincel, explorando o instante em que o pincel entra em contato com o papel e revela a mente do artista,  a pintura  ressurgiu com o nanquim  e trouxe as séries Funakogi UndoDescaligrafiasMichi .

Em busca de uma síntese formal, escolhi o contraste entre o preto da ação (tinta/gesto) sobre o branco (campo, papel).  A produção deste momento de uso do nanquim foi caminhando numa redução ainda maior em direção ao desenho. Esse movimento significou também o desenvolvimento da  Tutoria, proposta que conecta o ato de desenhar a processos de autoconhecimento e que venho oferecendo desde 2018 .

 

Neste site são mostradas minhas séries a partir de 2018.

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