ÚLTIMAS UNIDADES,arte contemporânea 2021/2022

Esse conjunto de trabalhos sublinham questões ligadas à relação natureza/cidade. Tanto de relações de resistências, como  de conexões contemplativas com a vida. A série evoca uma relação afetiva possível  ainda que a cidade se coloque como  espaço que mais repele do que acolhe. Assim, esta série opera no sentido de resgate de uma relação sensível ao meio.

 

Escolhi trabalhar com pintura  porque a entendo como uma linguagem que pode privilegiar e resgatar a contemplação, atividade que muitos de nós nem sabe o que é, pois a relação do sujeito contemporâneo com as imagens tem se dado sobretudo em alta  velocidade. Hoje em dia ver é também passar o dedo rapidamente para esquerda, para direita e para cima e para baixo, atrás da próxima imagem em uma tela. O fluir ininterrupto de impulsos visuais é parte desta crise ambiental, política e social na qual nos encontramos.

Cada planta, cada árvore que eu pinto, eu estabeleci de alguma forma, algum tipo de conexão. Eu tenho retratado as plantas sobreviventes do meu entorno que se tornam, para mim, símbolos de resiliência. 

 

Os títulos das pinturas são nomes de plantas que também são nomes de pessoas. Essa escolha evoca a ideia de  retrato, entendido como uma representação afetiva de alguém Não usei os nomes científicos das plantas em questão, pois não se trata de um destacamento devido às suas características genéricas de espécie, mas sim dessa relação afetiva que eu estabeleci com esses seres de resistência.